“Estou profundamente arrependido”, diz delegado Bruno França, que se afasta voluntariamente do cargo
Corregedoria apura a conduta do profissional lotado na delegacia de Sorriso
A Polícia Civil, por meio da Corregedoria Geral da instituição, segue com a apuração sobre a conduta do delegado Bruno França Ferreira diante de um episódio registrado na noite de segunda-feira (28), em Cuiabá, quando ele se dirigiu à residência de uma mulher que teria descumprido uma medida protetiva em relação a um adolescente, enteado do delegado. Apesar do andamento da investigação, ele informou à imprensa, nesta manhã, que se afastará voluntariamente do cargo por 30 dias.
A solicitação, segundo o delegado, lotado na delegacia de Sorriso, foi feita à Corregedoria de Polícia Civil, cuja instituição informou que tal ação ocorrida no condomínio de luxo da capital foi de decisão exclusiva da autoridade policial. “Não entendo como justo e razoável que eu seja ressarcido pelos cofres públicos durante a averiguação de excessos verbais que cometi em uma abordagem. Logo, desde já, antecipo que solicitei à Corregedoria meu afastamento não remunerado pelo prazo de 30 dias, renováveis por mais 30 se entenderem necessário ou até o final das apurações”, informou por meio de nota.
Ainda por meio de nota (leia aqui na íntegra), o delegado disse que está arrependimento pelo episódio. “Estou profundamente arrependido por ter me extrapolado na verbalização realizada dentro do domicílio da conduzida. Quanto à decisão de enfrentar a agressora e realizar sua captura, tal conduta não possui qualquer ilicitude e não goza de arrependimento de minha parte. Desde a noite de 28/11/2022 venho sendo atacado na imprensa de forma injusta e não verdadeira pela conduzida. Todavia, desde a noite de 28/11/2022 meu enteado está, finalmente, protegido e seguro”.
O vídeo com cenas da abordagem feita pelo delegado (assista aqui) repercutiu nas redes sociais. “Peço desculpas pelo susto causado à criança inocente que se encontrava dentro da residência. Não sabíamos da presença desta no interior do cômodo antes da entrada e, desde o ocorrido, a ideia do medo que causei a essa menina é, de longe, aquilo que mais tem me machucado”.
Segundo o delegado, a mulher persegue o seu enteado com agressões verbais e ameaças físicas em locais públicos, como quadras de esporte. “Conforme registrado em procedimento sigiloso na Delegacia Especializada de Direitos da Criança e do Adolescente, há meses a conduzida vem perseguindo, humilhando e aterrorizando o menor de maneira injustificada, motivo este que levou o Poder Judiciário a deferir pedido de medida protetiva em favor do infante".
Ontem, a Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Mato Grosso (OAB-MT) representou contra o delegado junto à Corregedoria Geral da Polícia Civil do Estado, requerendo o afastamento preventivo dele do cargo e a instauração de Processo Administrativo Disciplinar, para avaliar se sua conduta foi condizente com a função que exerce.
Conforme o órgão, o delegado, além de atacar e proferir ofensas ao advogado Rodrigo Pouso Miranda, enquanto ele estava no exercício profissional (veja aqui), supostamente agiu em interesse próprio. "Na abordagem, o delegado xingou e fez violentas ameaças, inclusive diante de uma criança de 4 anos, como mostra vídeo compartilhado publicamente", destacou a OAB.
O delegado Eugênio Rudy Júnior, titular da delegacia de Polícia Civil de Sorriso, informou que ainda não há decisão de afastamento. “Vamos aguardar até que chegue alguma decisão da Diretoria Geral”.
Saiba mais:
OAB-MT pede afastamento de delegado de Sorriso por ameaça e ofensa
Corregedoria da Polícia Civil apura conduta de delegado sorrisense